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Violência política: em ano de eleições, os casos aumentam

Artigo escrito por Maria Rosas, deputada federal pelo Republicanos São Paulo

13 de jun. de 20222 min de leitura

Com frequência escutamos na mídia casos de violência política e, conforme vai se aproximando da eleição, os casos aumentam. Só o Brasil registrou 113 episódios entre janeiro e março deste ano, um aumento de 48,7% em relação ao trimestre anterior. Os dados são do Observatório da Violência Política e Eleitoral da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), que conceitua a atuação como “qualquer tipo de agressão que tenha o objetivo de interferir na ação direta das lideranças políticas”, como limitar atuação, silenciamento, imposição de interesses e eliminação de oponentes.

O principal tipo de violência registrado no período foi a ameaça, com 52 casos (46% dos registros). Os homicídios aparecem na segunda colocação, com 21 (18,6%). Ainda foram registrados 18 atentados (15,9%), 15 agressões (13,3%), seis homicídios de familiares (5,3%) e um atentado contra familiar de liderança política (0,9%).

De acordo com especialistas, os homicídios têm um propósito muito claro de impedir candidatos de concorrem ao cargo e, nesse momento de pré-campanha, se busca a intimidação, tentando tirar aqueles mais competitivos. Geralmente, a violência sempre vai estar relacionada a disputas locais do poder e se espalha por todos os partidos, todas as ideologias. Não é incomum presenciar esse tipo de intimidação nas Casas Legislativas.

O cenário é ainda mais desafiador para mulheres, especialmente àquelas que já ocupam um cargo político. Vejo, quase que rotineiramente, ataques verbais que exploram a sexualidade das mulheres e suas características físicas, como forma de desqualificá-las publicamente ou quando elas não são indicadas como membros para participar de CPI de colegiado ou em composições da mesa (bem como paridade) e nos outros órgãos da Casa Legislativa.

Segundo dados da ONU Mulheres, 82 % das mulheres em espaços políticos já sofreram violência psicológica; 45% já sofreram ameaças; 25 % sofreram violência física no espaço parlamentar; 20%, assédio sexual; e 40% das mulheres afirmaram que a violência atrapalhou seu mandato.

Acredito que, para lidar com esse problema, é preciso compreender que a regulação de cotas não é suficiente para alterar aspectos institucionais e estruturais, que permitam que as mulheres ocupem efetivamente espaços públicos. Como procuradora da Secretaria da Mulher tenho acompanhado projetos, na Câmara dos Deputados, que tratam sobre o assunto e que criam mecanismos para coibir a violência e a discriminação política contra a mulher.

Mas é necessário combater esse tipo de violência em todas as esferas, seja com campanhas, com novas legislações e punições mais duras. A violência política é uma ameaça aos próprios fundamentos da democracia e mina a capacidade dos candidatos e dos parlamentares de participarem plenamente na resolução de conflitos, nos processos de construção da paz e na construção da nação.

Artigo escrito por Maria Rosas, deputada federal pelo Republicanos São Paulo

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