Projeto quer incluir tema da doação de órgãos no Censo do IBGE

Projeto de Murilo Galdino quer estimular debate familiar e ampliar conscientização para reduzir filas de transplante

Por Mozart Mota · Da Redação28 de jan. de 20262 min de leitura

Brasília (DF) – Em breve, o Brasil poderá contar com uma nova estratégia para aumentar o número de doadores de órgãos e tecidos: a inclusão de uma pergunta específica sobre o tema no Censo Demográfico do IBGE. É o que propõe o Projeto de Lei 2714/2024, apresentado pelo deputado federal Murilo Galdino (Republicanos-PB). A medida tem como objetivo ampliar a conscientização social e fornecer dados ao poder público para embasar campanhas de incentivo à doação.

A proposta altera a Lei 14.722/2023, que instituiu a Política Nacional de Conscientização e Incentivo à Doação e ao Transplante de Órgãos e Tecidos, e determina que os formulários do Censo passem a conter a pergunta: “Há membros na família que são doadores de órgãos ou tecidos?”

Estímulo ao diálogo e decisão familiar

Segundo Murilo Galdino, a proposta busca enfrentar um dos principais entraves à doação de órgãos no país: a falta de diálogo entre familiares sobre o tema. “Queremos que essa pergunta simples ajude a abrir conversas dentro de casa. É necessário que todos saibam a vontade do outro, porque a decisão final cabe à família”, destacou o parlamentar.

O relatório aprovado na Comissão de Saúde da Câmara reforça que o Brasil possui o maior sistema público de transplantes do mundo, com cerca de 90% dos procedimentos realizados pelo SUS. Ainda assim, milhares de pessoas aguardam na fila por um órgão, e muitos casos são comprometidos pela indefinição familiar no momento da doação.

Dados para políticas públicas mais eficazes

A inclusão da pergunta no Censo permitirá ao Ministério da Saúde identificar com mais precisão:

  • Regiões onde há resistência cultural ou falta de informação sobre a doação;
  • Perfis da população que precisam de ações de conscientização específicas;
  • Demandas regionais para melhor alocação de recursos e estrutura da rede de transplantes.

Tramitação

O projeto foi aprovado em dezembro pela Comissão de Saúde, na forma de um substitutivo. No momento, o texto aguarda parecer do relator na Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara. Após essa etapa, será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça da Casa.

Como tramita em caráter conclusivo, o texto não precisa passar pelo plenário da Câmara, mas ainda dependerá de aprovação no Senado para virar lei.

A fila continua crescendo

Segundo dados do Ministério da Saúde, mais de 50 mil pessoas aguardam por um transplante de órgão ou tecido no Brasil. Em muitos casos, a doação não ocorre por falta de autorização da família, mesmo quando o falecido era favorável à doação.

A iniciativa representa um avanço concreto na conscientização social, usando o Censo — uma ferramenta de alcance nacional — para gerar debate e incentivar decisões que podem salvar vidas.

Texto: Com informações da Agência Câmara de Notícias
Foto: Renato Araújo / Câmara dos Deputados

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