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Por uma reforma tributária transformadora e eficiente

Artigo escrito por João Roma, deputado federal pelo Republicanos Bahia

21 de jul. de 20203 min de leitura

Lembro que, quando era criança, há quase 40 anos, eu ouvia os adultos discutirem e darem como certa a possibilidade de uma reforma tributária. O tempo passou e todas as reformas que surgiram desde então terminaram com a criação de uma nova contribuição federal e com o aumento dessa estrutura, enquanto estados e municípios, que estão na ponta, seguiram em dificuldade.

Desde o ano passado, o debate em torno de uma reforma tributária voltou à tona e, em 2020, ganhou ainda mais força. Agora, diferente das discussões anteriores, chegamos a um estágio de sensibilização em que a criação de uma nova contribuição, como se fala em uma CPMF, não tem aprovação do Congresso Nacional. Não se quer criar novos impostos, mas fazer o ordenamento do sistema, buscando a sua eficácia.

E é justamente neste sentido que as discussões estão avançando no Parlamento. Na Câmara dos Deputados, fui relator da PEC 45, uma das propostas de reforma tributária que tramitam no Congresso. É uma reforma simplificadora, que transforma cinco impostos (PIS, Cofins, Pasep, ICMS e ISS) em apenas um, o IBS (Imposto Sobre Bens e Serviços). Por enquanto, não é diminuição de impostos, que é algo almejado por nós, mas é uma medida essencial para garantir mais fluidez no nosso sistema de arrecadação.

No entanto, para chegar nesse ponto, precisamos antes simplificar essa estrutura. O Brasil hoje é um dos últimos países no ranking mundial na eficácia de arrecadação de impostos devido à sua complexidade e subjetividade. São mais de 500 mil portarias e regramentos sobre as matérias tributárias, o que torna esse sistema complexo e gera muita confusão em sua interpretação.

Com isso, vamos desonerar toda a cadeia produtiva, diferente da lógica atual. Por exemplo, um estado produtor como São Paulo produz um item, manda para a Bahia, mas já destaca lá 6% de ICMS, que já fica na fonte. Isso faz com que o recurso fique preso nas teias de arrecadação e, portanto, esse dinheiro não flui, não serve para crédito.

Hoje, o comerciante vende o produto para receber com 90 dias, mas ele já tem que pagar o ICMS com 21 dias. Então, se conseguirmos passar essa cobrança para o final da etapa do consumo, que é quando o cidadão compra efetivamente o produto, conseguimos ter um ingresso de capital muito grande que ativa nossa economia. Essa é a ideia principal da reforma.

Essa simplificação será fundamental para a retomada do nosso crescimento econômico no período pós-pandemia. Hoje vivemos as mazelas de saúde pública, mas no próximo ano viveremos uma grande recessão da nossa economia, então, nós vamos precisar de ferramentas para conseguir buscar um equilíbrio e minimizar os impactos dessa crise, e a reforma tributária, sem dúvidas, será uma das principais.

Além disso, essa matéria tem potencial para construir um novo pacto civilizatório para os brasileiros. Hoje, quem mais paga imposto é exatamente o mais pobre. Então, quando o cidadão chegar no mercado, pegar determinado produto e pagar o imposto em cima, ali na hora, ela vai pensar: ‘poxa, eu estou pagando muito imposto para o governo’. Isso começa a dar pertencimento à população, que passa a valorizar mais o patrimônio público. Hoje, o cidadão não consegue enxergar quanto ele paga de imposto. Precisamos agregar mais transparência a este processo todo, este é um recurso fundamental para despertar a credibilidade da população na estrutura do estado brasileiro.

Enfim, o debate tem começado a avançar nas últimas semanas e o próprio governo deve mandar, em breve, a sua proposta de reforma para o Congresso, que já tem, além da PEC 45, a PEC 110, do Senado. É chegado o momento de aprofundar o diálogo e buscar a sensibilização necessária para a aprovação dessa matéria tão importante.

Se não existir realmente uma sintonia entre governo, Senado e Câmara, não vamos conseguir aprovar essa reforma ainda no segundo semestre, o que seria essencial para ajudar o Brasil a superar as mazelas dessa pandemia. Agora, mais do que nunca, precisaremos de diálogo, harmonia e serenidade nas discussões para aprovarmos essa matéria, sob pena de agravarmos ainda mais os impactos que temos sofrido com a recessão.

Artigo escrito por João Roma, deputado federal pelo Republicanos Bahia

CâmaraBADeputado(a) FederalJoão RomaReforma Tributária
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