
Brasília (DF) – A Frente Parlamentar da Agropecuária debateu, nesta terça-feira (5), alternativas para enfrentar dois desafios que impactam diretamente o setor: a alta no preço dos combustíveis e o crescimento do endividamento rural. Durante reunião na capital federal, parlamentares e especialistas discutiram o uso de recursos extras arrecadados pelo Governo Federal com a valorização do petróleo como possível solução para aliviar as dívidas dos produtores.
Arrecadação extra pode ajudar produtores
Segundo levantamento apresentado pela FPA, a União pode arrecadar até R$ 128,7 bilhões com receitas ligadas ao petróleo, como royalties, dividendos de empresas do setor e tributos federais. Mesmo após compensações fiscais relacionadas aos combustíveis, a estimativa é de que reste um saldo de R$ 41,2 bilhões até o fim do ano.
Para o presidente da FPA, deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR), esse valor poderia ser utilizado de forma estratégica. “Esse recurso extraordinário pode ajudar não só a reduzir os impactos da alta dos combustíveis, mas também a enfrentar o endividamento rural”, afirmou.
A proposta está sendo discutida dentro do Projeto de Lei Complementar 114/2026, que trata da destinação dessas receitas. A ideia é incluir no texto a possibilidade de utilizar parte dos recursos para renegociação de dívidas no campo.
Relatoria avalia alternativas
Relatora da proposta, a deputada federal Marussa Boldrin (Republicanos-GO), explicou que a intenção não é obrigar o uso dos recursos, mas abrir caminho para essa possibilidade. “Queremos criar uma alternativa que possa complementar outras propostas já em discussão, oferecendo mais opções para ajudar o produtor rural”, disse.
A parlamentar, que também é vice-presidente da FPA na Região Centro-Oeste, adiantou que o relatório pode incluir medidas relacionadas ao seguro rural e à manutenção de incentivos fiscais para biocombustíveis, como etanol e biodiesel, tornando-os mais competitivos em relação aos combustíveis fósseis e que deve apresentar em breve o relatório da proposta.
Alta do diesel pressiona custos no campo
Durante a reunião, especialistas apresentaram dados sobre o impacto direto do aumento do diesel nos custos da produção agrícola. De acordo com estudo da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), o setor já acumula um custo adicional de R$ 7,2 bilhões nos últimos meses.
O economista-chefe da entidade, Antônio da Luz, destacou que cada aumento de R$ 0,25 no preço do diesel gera um impacto de aproximadamente R$ 1,3 bilhão para os produtores. “Tivemos um aumento de cerca de 23% no diesel, o que preocupa não só a colheita atual, mas também o plantio das próximas safras”, explicou.
Desafios e oportunidades
Além dos desafios, o cenário também pode abrir oportunidades para o agronegócio brasileiro. Uma das possibilidades discutidas é o aumento da mistura de biocombustíveis, como etanol e biodiesel, o que pode impulsionar a produção e agregar valor a commodities como a soja.
A avaliação da FPA é que medidas coordenadas podem reduzir custos, estimular a produção e fortalecer o setor no mercado internacional.
Próximos passos
As propostas discutidas ainda serão consolidadas no relatório do PLP 114/2026, que não tem data definida para votação no plenário da Câmara. Paralelamente, outras iniciativas sobre renegociação de dívidas rurais seguem em análise no Congresso Nacional.
Texto: Com informações da Frente Parlamentar Agropecuária
Foto: Flickr Frente Parlamentar Agropecuária

