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Desigualdades educacionais: considerações sobre o acesso à educação básica

Artigo escrito por Maria Rosas, deputada federal pelo Republicanos São Paulo

27 de dez. de 20214 min de leitura

De acordo com levantamento realizado, em novembro neste ano, pela Consultoria Legislativa e Centro de Documentação de Informação (CEDI) da Câmara dos Deputados, 1,5 bilhão de crianças e jovens em todo planeta não puderam frequentar escola em aulas presenciais, desde a decretação da pandemia e os resultados das medidas e ações implementadas em virtude da crise, só poderão ser verificados a longo prazo, não sendo possível dimensionar ainda as consequências.

Os sistemas educacionais têm tido aprimoramentos por meio da tecnologia e novas metodologias de ensino em face das dificuldades advindas de eventos de ruptura, como o que ocorre atualmente. No entanto, as providências adotadas como o fechamento das escolas podem impactar diretamente na aprendizagem, principalmente para as pessoas mais pobres, e ainda, aumento da desigualdade entre os estudantes.  A falta de uma boa conexão de banda larga, por exemplo, e a falta de contato direto com os professores podem diminuir a permanência nas escolas.

Aulas a distância e plataformas digitais são mais palpáveis quando se trata de ensino superior, já que muitas faculdades já usam diferentes mídias, mas na educação infantil e no ensino fundamental, do 1º ao 5º ano, é muito difícil as crianças trabalharem sozinhas, elas precisam de acompanhamento e tutoria. Além disso, dados da pesquisa TIC Kids Online 2019 apontam que só 49% dos moradores em áreas rurais têm acesso à internet. E 43% das escolas rurais também não têm acesso à internet.

Com tudo isso, há um aumento da vulnerabilidade de crianças e adolescentes, gerando riscos relacionados aos maus-tratos físicos e mentais, violência baseada em gênero, questões de saúde mental e estresse psicossocial, exploração de trabalho infantil decorrente da perda de renda familiar e exclusão social por conta da falta de acesso à serviços básicos para crianças e famílias. Há também barreiras de ordem econômica, como a diminuição do financiamento dos sistemas públicos de ensino por conta da recessão na economia.

Segundo o estudo, a concentração de renda no Brasil seria resultante do baixo nível educacional da população e, com a pandemia o cenário é ainda pior. Essa análise pode ser verificada a partir de características sociodemográficas relacionadas com o acesso a determinados níveis de ensino ou com o fracasso em uma série específica. Também por meio do acesso ao ensino superior e notadamente o acesso das mulheres a esse nível de ensino.

Um dos marcos normativos no Brasil voltados para o aumento do acesso à educação é o Plano Nacional de Educação. O PNE vigente (2014-2024) estabelece a meta de universalização do ensino fundamental de 9 anos para a população de 6 a 14 anos.

Considerando desde o direito à educação básica, garantido pela Constituição Federal de 1988, passando pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, por programas de livros didáticos, transporte, alimentação escolar e financiamento representado pelos fundos de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef) e de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), o Brasil tem reduzido, de forma progressiva, a desigualdade de acesso à educação. Contudo, o país ainda se depara com um acesso desigual às etapas obrigatórias de ensino, sobretudo para os grupos com menor renda, da área rural, negros e do sexo masculino.

Na Câmara dos Deputados, sou presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Educação Básica e Alfabetização no Brasil e terceira vice-presidente da Comissão de Educação e, enquanto professora, acredito que não basta dar o acesso à escola. Nesses quase três anos de mandato apresentei inúmeros projetos que visam à garantia dos direitos da criança e do adolescente. Acredito que a experiência do letramento é o caminho para o desenvolvimento em muitos outros aspectos, promovendo interação social para viver uma infância com plenitude e a própria realização pessoal.

De acordo com os dados conclusivos do estudo, é preciso que a matrícula seja acompanhada por frequência regular, haver progressão nos anos escolares nas idades apropriadas, desenvolver uma aprendizagem significativa e que tenha relevância social, chances reais de transição para os níveis mais avançados da escolarização e reais oportunidades educacionais para as crianças e jovens de baixa renda com menos variação de qualidade entre as escolas frequentadas por diferentes grupos sociais.

É necessário ter políticas públicas nesse sentido, porque se não tivermos atenção para as necessidades do estudante e sua família e ainda, nas escolas um olhar focado em relação ao professor alfabetizador, a formação continuada, condições de trabalho, a conscientização das famílias para que esse aluno possa aprender, os prejuízos serão imensuráveis nos anos seguintes na educação fundamental, no ensino médio e até mesmo na educação superior, em que vamos formar os famosos analfabetos funcionais. Por aqui, sigo firme lutando por um ensino de qualidade para que possamos transformar o nosso país.

Artigo escrito por Maria Rosas, deputada federal pelo Republicanos São Paulo

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