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Deputado Professor Paulo Fernando defende a vida em debate sobre direitos humanos

Audiência requerida pelo republicano reuniu especialistas para discutir pontos do Programa Nacional de Direitos Humanos, incluindo aborto

19 de set. de 20233 min de leitura

Brasília (DF) – Atendendo a um requerimento do deputado Professor Paulo Fernando (Republicanos-DF), a Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara realizou audiência pública, nesta terça-feira (19), para debater e avaliar o Programa Nacional de Direitos Humanos – PNDH 3. Instituído em 2009, a iniciativa estabelece objetivos estratégicos e ações programáticas sobre o tema.

O aborto foi um dos principais assuntos tratados no encontro e o republicano Professor Paulo Fernando, que se dedica há mais de 30 anos à causa pró-vida, reafirmou seu posicionamento. “Nosso parlamento retrata o desejo da sociedade e a ampla maioria das pessoas defende a vida desde a sua concepção. Após a Constituinte, diversos projetos de lei tratam do assunto e temos também o Programa Nacional de Direitos Humanos, que levanta debates sobre o tema. O aborto pode ser discutido, mas sempre defenderemos a vida e vamos trabalhar para que os programas governamentais reflitam a vontade do povo”, destacou.

O procurador da Universidade de São Paulo (USP), Rodrigo Pedroso, defendeu que o Programa Nacional de Direitos Humanos, em alguns pontos, apresenta reivindicações de grupos minoritários e não da nação como um todo. “Algo que muito me incomoda é ver referências ao suposto direito ao aborto no PNDH 3, por exemplo. Pesquisas mostram que cerca de 95% da população é contra mudanças na lei para ampliar os casos em que o aborto é impunível. Então, nesse caso, talvez o governo deveria repensar a sua posição”, disse.

Em contraponto, o advogado e coordenador da organização de direitos humanos Terra de Direitos, Darci Frigo, ressaltou que a implementação do PNDH 3 trata-se de um processo universal e não de grupos específicos. Ele destaca que pontos do programa enfrentam resistência, mas de grupos conservadores. “Em alguns casos se utilizam da religião para combater a possibilidade de as pessoas acessarem direitos humanos, mas isso não dialoga com quem tem fé no evangelho”, disse.

A juíza e professora na Universidade Federal de Goiás (UFG), Liliana Bittencourt, demonstrou preocupação em relação a questões jurídicas tratadas no PNDH 3. “Em determinados pontos do programa, há uma descaracterização potencial do ser humano. E quando isso acontece? Quando algumas pessoas passam a ser tratadas não como tais, mas como excluídas dessa personalidade comum a toda a população humana”, destacou.

A professora citou os casos de aborto na Islândia para exemplificar o perigo do que chamou de descaracterização potencial do ser humano. “O país foi chamado perante a Organização das Nações Unidas (ONU) para ser questionado a respeito da aplicação de um certo aprofundamento de direitos humanos que levou aquele país a ter abortados quase 100% dos bebês diagnosticados com síndrome de Down. Com base nisso, temos razão para temer juridicamente esse eventual aprofundamento”, disse.

Ao falar sobre o tema do aborto, o ex-ministro dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, defendeu o PNDH 3. “O aborto não é defendido no Programa Nacional de Direitos Humanos, no sentido de ser incentivado. O próprio presidente Lula nunca escondeu a sua posição pessoal contrária. O que nós dizemos lá é que a questão tem que ser trabalhada como tema de saúde pública”, argumentou.

Para o general-de-brigada e diretor de geopolítica e conflitos do Instituto Sagres em Brasília, Luiz Paiva, o PNDH 3 precisa ser atualizado e “desideologizado”. “O tema de direitos humanos está sendo usado como base para transformar o regime democrático em regime socialista. O programa é amplo demais, complexo, burocratizado e pouco objetivo, desviando o foco que deveria estar nos direitos humanos. É autoritário em vez de facilitador e orientador, como deveria ser”, finalizou.

Também participaram da audiência pública o jurista, advogado, professor, escritor e membro da Academia Brasileira de Filosofia, Ives Granda; o professor no Ensino Fundamental da Rede Municipal de Ensino de Goiânia, Orley da Silva; e a secretária-executiva do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, Laura Zacher.

Texto: Thifany Batista, com edição de Mônica Donato / Ascom da Liderança do Republicanos na Câmara
Fotos: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

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