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Bullying: orientar é prevenir

Artigo escrito por Roberto Alves, deputado federal pelo PRB São Paulo

07 de abr. de 20173 min de leitura

Não há ambiente mais cruel para uma criança ou um adolescente que uma sala de aula. Minha afirmação parece paradoxal, mas não é. As crianças e adolescentes, apesar da pouca idade e maturidade, são capazes de serem hostis com seus pares, em crescentes níveis de crueldade. Quem é alvo de bullying nem sempre tem coragem de pedir ajuda, nem mesmo dos pais. É aí que está o perigo. O incômodo com as brincadeiras ofensivas pode evoluir para uma depressão e até mesmo para o suicídio.

Vencer o bullying não é fácil, exige orientação familiar e até profissional. Acima de tudo, é preciso compreensão e respeito. O diálogo é fundamental para entender em que circunstância a criança se sente fragilizada e ofendida. Isso, sobretudo, é tarefa dos pais e responsáveis. Às instituições de ensino, cabe a tarefa de reprimir qualquer atitude que enseje o bullying.

Desde novembro de 2015, o Brasil conta com uma legislação de combate à intimidação sistemática, mas ainda existem escolas que, lamentavelmente, não se preocupam com o bem-estar dos seus alunos e banalizam o problema.

Há alguns dias, uma escola particular em Cuiabá (MT) foi destaque nos noticiários porque foi condenada pela Justiça a pagar R$ 16 mil à família de uma aluna que passou a ter problemas de gagueira, por conta das ofensas que sofreu dos colegas devido ao seu biotipo. As ofensas saíram do ambiente escolar e foram parar nas redes sociais. A escola recorreu da sentença, alegando que a jovem nunca reclamou do bullying, mas a Justiça manteve a decisão.

Como presidente da Frente Parlamentar Contra o Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, sei bem que algumas crianças preferem não levar aos pais ou responsáveis os problemas pelos quais estão passando, por vergonha ou medo de como vão reagir. Quando os pais percebem a gravidade do problema, em muitos casos, já é tarde. Assim como o abuso sexual, o bullying é uma violência silenciosa que causa sequelas psicológicas na vida pessoa. Por isso, eu insisto que o diálogo é o melhor meio de enfrentamento.

Um relatório da ONU, baseado em uma pesquisa feita com 100 mil jovens, apontou que no Brasil, 43% disseram ter sofrido bullying. Em países vizinhos, como Chile, Colômbia e Uruguai, esse percentual é menor.

Segundo dados do 10° Anuário Brasileiro de Segurança Pública, baseado em uma pesquisa feita pelo IBGE com alunos do 9º ano do Ensino Fundamental, São Paulo é o estado que possui o maior número de casos de bullying. Conforme o levantamento, 44,8% dos estudantes afirmam sofrido bullying ‘às vezes’ ou ‘raramente’, enquanto que 9% disseram conviver com o bullying na maior parte do tempo ou sempre.

O problema é pior na rede pública de ensino, onde 54,4% dos alunos disseram já ter sido vítimas de bullying, enquanto que nas escolas privadas, a taxa chega a 50,5%. Em contrapartida, a pesquisa revelou que São Paulo é o estado com o maior número de estudantes que admitiram ter praticado bullying contra seus colegas, pouco mais de 24%.

Está em vigor a Lei 13.185/2015, que institui o ‘Programa de Combate à Intimidação Sistemática’, que obriga a União, os estados e municípios, por meio de suas pastas de educação, esportes e social, a promoverem campanhas de conscientização e ações de combate ao bullying.

A lei é primordial, mas é dever dos pais e responsáveis estarem atentos a qualquer mudança de comportamento dos filhos. Essa tarefa pode contar com a ajuda de professores, pedagogos e psicólogos. Assim como é dever nosso orientá-los para que não sejam atingidos psicologicamente pelas ofensas verbais e nas redes sociais, também é obrigação nossa reprimir qualquer atitude nociva que os jovens estejam cometendo contra os colegas, dentro ou fora da escola.

*Roberto Alves é deputado federal pelo PRB São Paulo

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