Urna eletrônica completa 30 anos e marca evolução da votação no Brasil

Desde 1996, o sistema eleitoral eletrônico brasileiro é referência em agilidade, segurança e acessibilidade nas eleições

Por Mozart Mota · Da Redação18 de mai. de 20264 min de leitura

Brasília (DF) –  As urnas eletrônicas completam 30 anos de utilização no Brasil em 2026. Criado para modernizar o sistema eleitoral, o equipamento estreou nas eleições municipais de 1996 e, desde então, tornou-se um dos principais símbolos da informatização do processo eleitoral brasileiro, reunindo características como rapidez na apuração, segurança e acessibilidade.

Naquele primeiro ano, as urnas foram utilizadas em todas as capitais e nos municípios com mais de 200 mil eleitores. Cerca de 32 milhões de brasileiros votaram eletronicamente pela primeira vez, o equivalente a aproximadamente 30% do eleitorado da época. O objetivo da Justiça Eleitoral era reduzir falhas humanas na contagem dos votos, acelerar a divulgação dos resultados e reforçar o sigilo do voto.

A expansão do sistema ocorreu de forma rápida. Em 1998, as urnas já estavam presentes em 537 municípios com mais de 40 mil eleitores. Dois anos depois, em 2000, a votação eletrônica passou a ser utilizada em todas as cidades brasileiras, concluindo a informatização das eleições no país.

Da informatização à biometria

Ao longo dessas três décadas, o sistema passou por sucessivas modernizações tecnológicas. O primeiro modelo era relativamente simples, com teclado numérico semelhante ao de um telefone e identificação em braile para auxiliar eleitores com deficiência visual. Na época, ainda não existiam recursos como identificação biométrica ou ferramentas avançadas de acessibilidade.

Com a evolução tecnológica, novas funcionalidades foram incorporadas às urnas eletrônicas. Entre elas estão sintetizador de voz, utilização de fones de ouvido, intérprete de Libras na tela e melhorias nos sistemas de processamento de dados. Os modelos mais recentes também contam com teclado sensível ao toque para os mesários, maior eficiência energética e componentes mais duráveis e recicláveis.

Outro avanço importante ocorreu em 2008, com o início do cadastramento biométrico dos eleitores. O sistema utiliza impressões digitais para confirmar a identidade do cidadão antes da votação, reduzindo a possibilidade de uma pessoa votar em nome de outra. Atualmente, cerca de 137 milhões de brasileiros possuem cadastro biométrico, o equivalente a aproximadamente 86% do eleitorado apto a votar.

Segurança e fiscalização

Segundo a Justiça Eleitoral, as atualizações tecnológicas contribuíram para fortalecer princípios como integridade, transparência, sigilo e agilidade da votação. Outro diferencial destacado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é o fato de as urnas funcionarem sem conexão com a internet ou qualquer rede externa, característica que reduz riscos de ataques remotos.

Além disso, o sistema conta com mecanismos de auditoria, criptografia, assinaturas digitais e lacres físicos que ajudam a garantir a integridade dos dados registrados durante a eleição. O TSE afirma que, ao longo dos 30 anos de utilização das urnas eletrônicas, não houve comprovação de fraude cibernética relacionada ao equipamento.

A segurança do sistema também é reforçada por processos de fiscalização e auditoria realizados antes, durante e após as eleições. Desde a preparação das urnas até a totalização dos votos, todas as etapas podem ser verificadas por instituições fiscalizadoras e órgãos de controle.

A transparência é ampliada pelos Testes Públicos de Segurança promovidos periodicamente pelo TSE. Nesses eventos, especialistas em tecnologia e representantes da sociedade civil são convidados a analisar os sistemas eleitorais e tentar identificar possíveis vulnerabilidades antes da realização das eleições. As contribuições apresentadas são avaliadas pela equipe técnica da Justiça Eleitoral e podem resultar em melhorias nos mecanismos de proteção.

Modelo acompanhado por outros países

O modelo brasileiro também desperta interesse internacional. Entre 2008 e 2023, representantes de pelo menos 50 países visitaram a Justiça Eleitoral para conhecer o funcionamento das urnas eletrônicas e os mecanismos de segurança adotados no Brasil. Somente nas eleições de 2022, delegações de mais de 30 países acompanharam diferentes etapas do processo eleitoral, incluindo o acesso ao código-fonte das urnas, os sistemas de identificação dos eleitores e as ações de combate à desinformação.

Oficialmente chamada de Coletor Eletrônico de Voto (CEV), a urna eletrônica funciona como um microcomputador desenvolvido exclusivamente para registrar e contabilizar votos. O equipamento armazena informações sobre candidatos e eleitores em cartões de memória e, ao término da votação, imprime automaticamente os boletins de urna com o resultado de cada seção eleitoral.

As urnas utilizadas no Brasil são produzidas no país. Enquanto os equipamentos são adquiridos pela Justiça Eleitoral por meio de licitação, os programas responsáveis pelo funcionamento do sistema são desenvolvidos pelo próprio TSE.

Para marcar os 30 anos da urna eletrônica, a Justiça Eleitoral realizou neste mês uma série de eventos comemorativos e ações educativas voltadas à preservação da memória do sistema eleitoral brasileiro. Tribunais regionais também promoveram exposições e atividades que destacaram a evolução tecnológica dos equipamentos e os avanços alcançados nas áreas de acessibilidade, inclusão e segurança do voto eletrônico.

Esses três subtítulos criam uma progressão lógica: história e expansão → evolução tecnológica e biometria → segurança e reconhecimento internacional. Isso costuma funcionar bem em portais de notícias e melhora bastante a escaneabilidade do texto.

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Texto e arte: Agência Republicana de Comunicação (ARCO), com informações do TSE

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