
*Atualizado em 20/02/2026
Vitória (ES) – A capital do Espírito Santo está a 621 dias sem registro de feminicídio, dado considerado histórico pela administração municipal e pelas instituições que atuam no enfrentamento à violência contra a mulher. O número representa vidas preservadas e é atribuído a uma atuação conjunta entre Prefeitura, sob a gestão de Lorenzo Pazolini (Republicanos), Judiciário, forças de segurança, Ministério Público e organizações da sociedade civil.
A redução dos casos é atribuída a um conjunto de políticas públicas que envolvem prevenção, acolhimento especializado, tecnologia e resposta rápida em situações de risco.
Entre os principais equipamentos está o Centro de Referência em Atendimento à Mulher em Situação de Violência (Cramsv), que oferece apoio psicológico e social às vítimas. As mulheres também contam com atendimento de saúde na Casa Rosa, além da possibilidade de abrigo em local sigiloso, solicitação de medidas protetivas e acesso ao Botão Maria da Penha.
A coordenadora do Cramsv, Fernanda Vieira, ressaltou que o acolhimento qualificado é parte essencial do processo de enfrentamento à violência. “Cada atendimento representa uma história que pode ser transformada. Nosso papel é orientar, apoiar e garantir que essas mulheres tenham acesso à informação e à proteção”, explicou.
A subsecretária da Mulher, Deborah Alves, afirmou que o município segue investindo em ações estruturantes. “O enfrentamento à violência exige planejamento, integração e participação social. O objetivo é manter esse índice e fortalecer ainda mais a rede de proteção”, pontuou.
Tecnologia a serviço da proteção
Um dos instrumentos de destaque é o Botão Maria da Penha, dispositivo utilizado por mulheres que possuem medida protetiva. O equipamento, acionado de forma discreta, envia alerta imediato à Central de Monitoramento da Guarda Civil Municipal, que desloca viatura ao local e acompanha a ocorrência em tempo real.
De acordo com a comandante da Guarda Civil Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, a atuação preventiva e o acompanhamento das medidas judiciais são fundamentais para evitar que a violência evolua para casos extremos. “Cada atendimento, cada fiscalização e cada resposta rápida fazem diferença na proteção dessas mulheres”, afirmou.
Entre 2022 e 2025, 33 dispositivos estavam ativos no município, com 47 acionamentos registrados no período.
Atendimento especializado e números
Dados da Secretaria Municipal de Cidadania, Direitos Humanos e Trabalho indicam que, entre 2022 e 2025, o Cramsv realizou 10.723 atendimentos a mulheres vítimas de violência doméstica. Considerando o período de 2006 a 2025, o total chega a 34.534 atendimentos.
A Casa Rosa, vinculada à Secretaria Municipal de Saúde, também integra essa estrutura. O espaço oferece atendimento multidisciplinar — com médicos, psicólogos, enfermeiros e assistentes sociais — além de testes rápidos para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e administração de profilaxia pós-exposição (PEP) em casos de violência sexual.
O serviço atua tanto por demanda espontânea quanto por encaminhamento da rede pública, com foco na recuperação emocional, orientação jurídica e fortalecimento dos vínculos familiares.
Histórias que representam a mudança
Entre as mulheres atendidas está “Bia” — nome fictício utilizado para preservar sua identidade. Aos 50 anos, ela relata ter vivido por mais de duas décadas em um relacionamento marcado por violência psicológica e patrimonial.
Após buscar apoio no Cramsv, recebeu acompanhamento psicológico e orientação sobre medidas protetivas. “Cheguei muito fragilizada, mas com o apoio da equipe consegui reconstruir minha autoestima e retomar minha vida”, contou.
Compromisso permanente
A marca de 600 dias sem feminicídio coloca Vitória em evidência no cenário nacional de enfrentamento à violência contra a mulher. Para a administração municipal, o desafio agora é manter o trabalho integrado, ampliar ações preventivas e garantir que a rede de proteção continue ativa e acessível.
O resultado, segundo as autoridades locais, demonstra que políticas públicas estruturadas, tecnologia e acolhimento humanizado podem contribuir de forma efetiva para a preservação de vidas e o fortalecimento dos direitos das mulheres.
Texto: Com informações da Prefeitura de Vitória
Foto: cedida

