Vitória está a mais de 600 dias sem registrar casos de feminicídio

Sob gestão de Lorenzo Pazolini, capital capixaba alcança marca histórica por meio de ações integradas de vários setores

Por Mozart Mota · Da Redação14 de fev. de 20263 min de leitura

*Atualizado em 20/02/2026

Vitória (ES) – A capital do Espírito Santo está a 621 dias sem registro de feminicídio, dado considerado histórico pela administração municipal e pelas instituições que atuam no enfrentamento à violência contra a mulher. O número representa vidas preservadas e é atribuído a uma atuação conjunta entre Prefeitura, sob a gestão de Lorenzo Pazolini (Republicanos), Judiciário, forças de segurança, Ministério Público e organizações da sociedade civil.

A redução dos casos é atribuída a um conjunto de políticas públicas que envolvem prevenção, acolhimento especializado, tecnologia e resposta rápida em situações de risco.

Entre os principais equipamentos está o Centro de Referência em Atendimento à Mulher em Situação de Violência (Cramsv), que oferece apoio psicológico e social às vítimas. As mulheres também contam com atendimento de saúde na Casa Rosa, além da possibilidade de abrigo em local sigiloso, solicitação de medidas protetivas e acesso ao Botão Maria da Penha.

A coordenadora do Cramsv, Fernanda Vieira, ressaltou que o acolhimento qualificado é parte essencial do processo de enfrentamento à violência. “Cada atendimento representa uma história que pode ser transformada. Nosso papel é orientar, apoiar e garantir que essas mulheres tenham acesso à informação e à proteção”, explicou.

A subsecretária da Mulher, Deborah Alves, afirmou que o município segue investindo em ações estruturantes. “O enfrentamento à violência exige planejamento, integração e participação social. O objetivo é manter esse índice e fortalecer ainda mais a rede de proteção”, pontuou.

Tecnologia a serviço da proteção

Um dos instrumentos de destaque é o Botão Maria da Penha, dispositivo utilizado por mulheres que possuem medida protetiva. O equipamento, acionado de forma discreta, envia alerta imediato à Central de Monitoramento da Guarda Civil Municipal, que desloca viatura ao local e acompanha a ocorrência em tempo real.

De acordo com a comandante da Guarda Civil Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, a atuação preventiva e o acompanhamento das medidas judiciais são fundamentais para evitar que a violência evolua para casos extremos. “Cada atendimento, cada fiscalização e cada resposta rápida fazem diferença na proteção dessas mulheres”, afirmou.

Entre 2022 e 2025, 33 dispositivos estavam ativos no município, com 47 acionamentos registrados no período.

Atendimento especializado e números

Dados da Secretaria Municipal de Cidadania, Direitos Humanos e Trabalho indicam que, entre 2022 e 2025, o Cramsv realizou 10.723 atendimentos a mulheres vítimas de violência doméstica. Considerando o período de 2006 a 2025, o total chega a 34.534 atendimentos.

A Casa Rosa, vinculada à Secretaria Municipal de Saúde, também integra essa estrutura. O espaço oferece atendimento multidisciplinar — com médicos, psicólogos, enfermeiros e assistentes sociais — além de testes rápidos para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e administração de profilaxia pós-exposição (PEP) em casos de violência sexual.

O serviço atua tanto por demanda espontânea quanto por encaminhamento da rede pública, com foco na recuperação emocional, orientação jurídica e fortalecimento dos vínculos familiares.

Histórias que representam a mudança

Entre as mulheres atendidas está “Bia” — nome fictício utilizado para preservar sua identidade. Aos 50 anos, ela relata ter vivido por mais de duas décadas em um relacionamento marcado por violência psicológica e patrimonial.

Após buscar apoio no Cramsv, recebeu acompanhamento psicológico e orientação sobre medidas protetivas. “Cheguei muito fragilizada, mas com o apoio da equipe consegui reconstruir minha autoestima e retomar minha vida”, contou.

Compromisso permanente

A marca de 600 dias sem feminicídio coloca Vitória em evidência no cenário nacional de enfrentamento à violência contra a mulher. Para a administração municipal, o desafio agora é manter o trabalho integrado, ampliar ações preventivas e garantir que a rede de proteção continue ativa e acessível.

O resultado, segundo as autoridades locais, demonstra que políticas públicas estruturadas, tecnologia e acolhimento humanizado podem contribuir de forma efetiva para a preservação de vidas e o fortalecimento dos direitos das mulheres.

Texto: Com informações da Prefeitura de Vitória
Foto: cedida

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