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Saiba como denunciar agressões contra crianças e adolescentes

Em 2020, foram 95 mil casos; republicano Roberto Alves alerta para a necessidade de denunciar qualquer suspeita de violência contra os menores

30 de abr. de 20213 min de leitura

Brasília (DF) – Valores como amor, educação e proteção são basilares para ajudar na formação das crianças. Mas, infelizmente, estes valores não estão presentes em todos os lares. É o que demonstra os dados dos canais de atendimento para violações contra os Direitos Humanos, que apenas em 2020 receberam mais de 95 mil denúncias de maus-tratos e violência contra crianças e adolescentes.

É o segundo grupo vulnerável mais atingido, segundo o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), junto com as mulheres (105 mil casos) e os idosos (88 mil casos).

Caso se confirme a violência doméstica investigada contra o menino Henry Borel, de quatro anos, morto no dia 8 de março, no Rio de Janeiro, em um caso envolto em suspeitas de violência física, este não seria uma exceção, pois segundo o serviço Disque 100, entre 80% e 90% dos casos, as agressões acontecem dentro do ambiente familiar.

Para combater atos de agressões contra os menores, especialistas alertam para a necessidade da participação massiva da sociedade. A recomendação é que vizinhos fiquem atentos e familiares precisam desconfiar de comportamentos atípicos das crianças e tomar providências.

Como denunciar

Há dois serviços mantidos para denúncias anônimas, que são recebidas e encaminhadas aos órgãos públicos responsáveis por tomar medidas com relação a elas. São eles o Disque 100, para violações aos direitos humanos em geral.

Segundo o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, o serviço pode ser utilizado tanto para denúncias de fatos passados ou recorrentes quanto para “pronto socorro”, de ocorrências que necessitam de atuação imediata. Em 2020, ao todo, foram 3,5 milhões de atendimentos telefônicos e 350 mil denúncias formalizadas. Para acionar, basta digitar “100”  em qualquer telefone, fixo ou móvel.

As informações importantes para o momento da denúncia são a identificação da vítima, o tipo de violência, o potencial suspeito, recorrência e auxílios de como as forças de segurança podem atuar para encerrar a violação, como indicativos de endereço e pontos de referência.

A denúncia não precisa ser feita necessariamente pela vítima. Segundo o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, qualquer pessoa com acesso às informações sobre a violação pode fazer a denúncia.

Como saber se a criança é vítima de violência

Segundo especialistas, devem ser observadas alterações físicas e comportamentais. No caso de violência, surgem marcas corporais arroxeadas e machucados constantes. Também são comuns alterações no sistema digestivo, como diarreia e vômito, olheiras e insônia, caso se avizinhe o compartilhamento de espaço com o agressor. No comportamento, a criança pode se tornar excessivamente agressiva, rejeitar tentativas de acolhimento e afeto e se sentir acuada e encolhida quando algum adulto realiza movimentos com braços e mãos.

Presidente da Frente Parlamentar Contra o Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes da Câmara, o deputado federal Roberto Alves (Republicanos-SP) demonstra grande preocupação com os casos de violência contra as crianças. Ele reforça a necessidade de a população estar atenta a qualquer situação estranha no ambiente familiar, seja no quesito de violência doméstica, trabalho infantil ou até mesmo cárcere privado, para denunciar esse tipo de prática.

“As crianças dão sinais que nem sempre são percebidos. Elas ficam introspectivas, agressivas, mudam de humor, não querem chegar perto do agressor. As crianças falantes, se tornam crianças caladas. O importante é sempre ter diálogo com as crianças e adolescentes. Caso perceba que ocorreu uma violência, registre a ocorrência. Pode ser no Disque 100, Conselho Tutelar na sua região, a guarda municipal ou na delegacia mais próxima da sua residência. O importante é não se omitir diante deste crime, podendo ser a denúncia anônima”, alertou Roberto Alves.

As repercussões mais comuns das agressões a curto prazo na vida dos pequenos envolvem desenvolver um sentimento de culpa, como se sentisse merecer a violência por conta de algo que foi passado pelo próprio agressor. A longo prazo, a criança pode internalizar o comportamento agressivo e reproduzi-lo quando chegar na fase adulta, apontam especialistas.

Assista ao vídeo

Por Agência Republicana de Comunicação, com informações do MMFDH
Foto: Arquivo banco de imagens Republicanos

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